Escrevo pra não sumir
Um texto sobre o cansaço de não saber o que fazer e a tentativa de continuar mesmo assim.
Eu tô aqui passando por um momento peculiar. Estou com muitas coisas da vida “atrasadas”, por consequência das minhas escolhas anteriores (com certeza), porém de um jeito que eu não consigo adiantar nada do que quero. A única opção é esperar o tempo passar. O que me parece contraproducente (então eu venho aqui agora escrever pra ver se me sinto melhor).
Eu quero saber o que fazer da minha própria vida, e aí quando eu acho que sei, eu não posso fazer nada momentaneamente. Estou com uma faculdade completamente atrasada pra terminar. Tenho mais de cem mil reais em dívidas financeiras, não tenho dinheiro pra pagar meu aluguel desse mês e, ainda assim, me vejo aqui parado, sem o que fazer. Eu queria produzir um milhão de coisas (o pior é que eu queria ter o resultado dessas coisas), mas nada do que eu penso está vinculado a algum resultado plausível. O que talvez caiba seja apenas viver num modo automático mesmo.
Fisicamente, estou num lugar que faz com que meus hábitos ou gatilhos ruins sejam mais difíceis de serem executados (mas isso eu sei que seria só questão de tempo para uma nova readaptação). Eu não sei mais o que fazer pra simplesmente viver como as pessoas “comuns”, que têm propósitos ou metas bem estabelecidos. Ou eu coloco padrões muito altos (e por serem tão inatingíveis eu nem começo) ou coloco coisas tão irrisórias que não me são nem motivadoras pra me movimentar.
Eu não acredito que vou dar conta de fazer (e mesmo quando eu fizer, eu sei que não terá sido suficiente). Por mais que eu tente acreditar que fazer de pouco em pouco seja o melhor jeito, eu mesmo não acredito nessa mentira.
Por que as coisas na minha cabeça acontecem num ritmo tão diferente da realidade? O que essa vivência tem pra me ensinar? Se a ideia é controlar a cabeça, eu tô tentando (mas sei lá... é cansativo). Cansativo demaaais. O que eu tenho que fazer? O que eu quero? Agora, a minha tão sonhada liberdade de fazer o que quiser é uma prisão tão gigante que eu nem sei mais se eu quero isso. Só queria saber o que fazer e se a minha vontade é realmente a coisa certa (ou pelo menos até que medida ela é menos prejudicial a mim mesmo).
Será que alguém vai me entender? (Ou pelo menos me ajudar de alguma forma?) Eu não sei se quero carinho ou se quero apenas me livrar dessa energia acumulada. Eu preciso fazer algo (eu até tenho ideias de coisas que posso fazer), mas o que é melhor pra mim? Eu não sei. Eu já tentei e deu errado. Não sei se essa é uma nova tentativa (ou se é só mais um momento de alienação).
Eu não sei nem por que tô tão emotivo. Não tô fisicamente cansado (e acho que emocionalmente também não estava). Até porque eu fiz um completo nada durante boa parte do dia. Eu quero ajuda. Mas, sinceramente, eu nem sei mais que tipo de ajuda eu quero. Se é prática, se é emocional ou se é espiritual.
Talvez eu tenha apenas que sofrer isso mesmo e as coisas se esclareçam daqui a algum tempo (sejam minutos, horas ou dias). Em um mundo digital e de vídeos, o meu refúgio é a escrita (e acho que ninguém vai de fato reconhecer minha forma de expressar ou, pelo menos, de tentar desabafar). Quem sabe esse seja o meu destino: escrever pra não ser lido, apenas uma máquina de cuspir sentimentos sem nenhum propósito. Sentimentos talvez nem sejam, mas cuspir palavras que provavelmente serão vazias e mal compreendidas por todos (ou, pelo menos, pela maioria das pessoas).
Por fim, sentei pra tentar produzir algo de útil. Não fiz planos, não fiz um vídeo, não ajudei ninguém, mas talvez tenha me ajudado um pouco. Sei lá, quem sabe isso melhore um pouco meu viver.
Até breve.Um texto sobre o cansaço de não saber o que fazer e a tentativa de continuar mesmo assim.